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     programa do curso Relacionamentos Afetivos

- por uma Educação Pessoal -

com Lúcio Packter


* em comemoração pelo XX Encontro Nacional de Filosofia Clínica,

convidamos o filósofo a lecionar neste curso.


                                           

 

9 de junho de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia -  As coisas básicas sobre início de relacionamento.

 

 

“Eu sou uma chama acesa! E rebrilho e rebrilho toda essa escuridão!”
Este momento era único – e ela teria durante a vida milhares de momentos únicos. Até suou frio na testa, por tanto lhe ser dado e por ela avidamente tomado. “A beleza pode levar à espécie de loucura que é a paixão.” Pensou: “estou casada, tenho três filhos, estou segura.” Ela tinha um nome a preservar: era Carla de Sousa e Santos. Eram importantes o “de” e o “e”: marcavam classe e quatrocentos anos de carioca. Vivia nas manadas de mulheres e homens que, sim, que simplesmente “podiam”. Podiam o quê? Ora, simplesmente podiam."

A bela e a fera, de Clarice Lispector

 


 

16 de junho de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Quem é você para o outro; quem é o outro para você

 

"Por causa da discussão do dia anterior, nossa sintonia ainda estava um pouco abalada. Meus esforços estavam voltados a evitar pensamentos negativos sobre nosso relacionamento. Sempre que surgia alguma discussão, vinham à cabeça pensamentos como: Somos tão diferentes; Será que nosso relacionamento vai superar nossas diferenças?; ou Algum dia vamos deixar de discutir tanto?. Para este último, eu já tinha a resposta: Não! Em qualquer relacionamento sempre haverá altos, baixos e discussões. Nossas diferenças não vão desaparecer de um dia para o outro. De uma coisa eu tinha certeza: valeria a pena ficar juntos."

Trecho de Os Opostos se Distraem, de Jussara Souza

 


 

 

23 de junho de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia -  Depois do início consolidado: esparramar e aprofundar.

Prefácio da aula com a música de Rachmaninoff e pósfácio com Beethoven.

 

"Que angústia estar sozinho na tristeza E na prece! que angústia estar sozinho Imensamente, na inocência! acesa A noite, em brancas trevas o caminho Da vida, e a solidão do burburinho Unindo as almas frias à beleza Da neve vã; oh, tristemente assim O sonho, neve pela natureza!"

A rosa de Hiroshima, Vinicius de Moraes

 

 


 

 

30 de junho de 2018

9h30 - 11h00

 

 

Tema do dia - Razões para colocar um final a um relacionamento.

 

"É natural sentir decepção e tristeza com o fim do relacionamento. Encontrar o significado mais profundo do relacionamento, se é que ele existe, não é o mais importante para você agora. Neste momento, é bastante chegar a termo com a perda e conseguir encerrar esse capítulo. Sua carta mostra a indiscutível sinceridade com que você tentou fazer o relacionamento crescer. Também é muito pungente seu sentimento de perplexidade por seus esforços não terem sido suficientes. Não é fácil aprender a aceitar um resultado que contraria o desejo de nosso coração. Acredito que você ganha muito mais por não ter jogado o “jogo da culpa”. Ele não teria ajudado o relacionamento. Seja leniente consigo mesmo e dê-se algum tempo para curar a ferida."
 

Trecho de Pergunte a Deepak Chopra sobre amor e relacionamentos, de Deepak Chopra

 

 


 

 

7 de julho de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Compreendendo as mensagens de Whats App, Facebook e outros dela

 

 

"Quando tento buscar na memória a menina que fui, não consigo me ver chorando. No colégio? Nunca. Em casa? Só de forma muito reservada e profunda no silêncio do meu quarto, jamais por fricotes infantis. Mesmo adolescente, com os hormônios em curto-circuito, tampouco lembro de abrir as torneiras. Era durona, não chorava nem quando havia sério motivo para tal – aliás, bastava que algum parente distante tivesse morrido para me dar uma vontade louca de rir. Tinha vergonha de me emocionar. Depois veio a idade dos namoros, e aprendi a chorar por dor de cotovelo e também por autopiedade. Meu choro era tão sentido, vinha de zonas tão secretas em mim, que mesmo quando o motivo do choro já havia se dissipado eu continuava chorando pela simples emoção de estar testemunhando a minha tristeza reprimida que finalmente desaguava – eu chorava pela comoção que eu mesma me causava."

Trecho de Simples Assim, Martha Medeiros

 

 


 

 

 

14 de julho de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Aprimorando o relacionamento: construir.

 

"No princípio do amor existe o fim do amor, como no princípio do mundo existe o fim do mundo. Existem folhagens irisadas pela chuva, varandas varadas de luz, montanhas de gaze azul amontoadas no horizonte, crepúsculos de ametista com palmeiras estruturadas para um tempo além de nosso tempo, pássaros fatídicos na tarde assassinada, ofuscação deliciosa dos sentidos no lago. No princípio do amor já é amor. Melancólica e perfeita é a praça com o seu quartel amarelo e o clarim sanguíneo do meio-dia. No princípio do amor a criatura já se esconde bloqueada na terra das canções. Navios pegam fogo no mar alto, defronte da cidade obtusa, precedida dum tempo que não é o nosso tempo. No princípio do amor, sem nome ainda, o amor busca os lábios da magnólia, a virgindade infatigável da rosa, onde repousa a criatura em torno da qual é, foi, será princípio de amor, prenúncio, premissa, promessa pressurosa de amor. No princípio do amor a mulher abre a janela do parque enevoado, com seus globos de luz irreais, umidade, doçura, enquanto o homem — criatura ossuda, estranha — ri como um afogado no fundo de torrentes profundas, e deixa de rir subitamente, fitando nada."

O homem que odiava ilhas: Crônicas de Paulo Mendes Campos

 

 


 

 

 

4 de agosto de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Melhor mal acompanhado do que sozinho e os pseudo relacionamentos.

 

 

"Claro que eu sabia: “Me cure. Me alimente. Me dê dinheiro.”
 — Desculpe. Ele não respondeu. Dei meia-volta e segui para o lugar de onde havíamos levantado voo, o campo de feno. — Será que você pode pelo menos me dar um curso a jato sobre como curar as pessoas? Eu nunca lhe pedi para me ensinar isso, mas é que o meu jeito... ele é tão lento. — O seu jeito é o jeito como você quer se curar. — Ele se aproximou, e voamos em formação próxima. — Quer que eu faça isso por você, que o cure num piscar de olhos na Terra? Assim você não precisa aprender nada. Vai me permitir fazer isso? Era tão fácil: deixar a cargo dele. Então, depois, alguém pergunta: “Como você se recuperou daquele acidente? Você está bem! E de uma hora para a outra!” E eu digo: “Não sei, um Salvador me curou.” — Bem, não — respondi. — Só me dê algumas dicas, para agilizar as coisas para mim, para eu fazer do meu jeito."

O fim das ilusões, Richard Bach

 

 

 


 

 

11 de agosto de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Fantasmas do passado rondando.

 

"O velho pensava sempre no mar como sendo la mar, que é como lhe chamam em espanhol quando verdadeiramente o querem bem. Às vezes aqueles que o amam lhe dão nomes vulgares, mas sempre como se fosse uma mulher. Alguns dos pescadores mais novos, aqueles que usam boias como flutuadores para as suas linhas e têm barcos a motor, comprados quando os fígados dos tubarões valiam muito dinheiro, ao falarem do mar dizem el mar, que é masculino. Falam do mar como de um adversário, de um lugar ou mesmo de um inimigo. Entretanto, o velho pescador pensava sempre no mar no feminino e como se fosse uma coisa que concedesse ou negasse grandes favores; mas se o mar praticasse selvagerias ou crueldades era só porque não podia evitá-lo. “A lua afeta o mar tal como afeta as mulheres”, refletiu o velho."

O Velho e o Mar, Ernest Hemingway

 

 


 

 

18 de agosto de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia -  Coisas que acontecem quando se mora com alguém.

 

 

"Eu estava no auge da juventude, a caminho da maturidade: um bom casamento, filhos saudáveis, muito trabalho — mas numa profissão que me apaixonava. Levávamos a vida com dignidade e muitos projetos. Então alguém me deu uma pequena ampulheta, que coloquei em minha escrivaninha. No começo achei interessante a areia fina que escorria marcando as horas. Um dia me dei conta de que ela marcava a vida que foge e a morte que aguarda. Num impulso joguei a ampulheta pela janela. A areia do tempo ficou espalhada nas pedras, rindo de mim."

O tempo é um rio que corre Lya Luft

 

 


 

 

25 de agosto de 2018

9h30 - 11h00

Tema do dia - Como conversar com ela?

 

"Se um daqueles pombos sobre a mancha ensolarada do pátio levantar voo agora me deixarei arrastar pela lembrança, senão irei até a cozinha e lavarei a louça do jantar de ontem. Um deles voa e vou lavar a louça ainda assim. O que vale é a aposta, não o desfecho. Brincávamos disso todo o tempo quando éramos crianças. Que o acidental comandasse a vida era tentador. O que afinal de contas havia determinado nosso encontro? Estávamos unidas por acaso. Também por acaso havíamos ido parar naquele bairro e não em qualquer outro. Vizinhas e logo irmãs. A verdade é que Vicky sustentava essas teorias com mais tenacidade do que eu. Eu não estava tão certa de que tudo não acontecesse por vontade divina, como dizia o padre do colégio. Me parecia mais razoável pensar que as coisas tinham um motivo para ser como eram, mas as especulações dela eram mais divertidas do que as razões de Deus."

 

Trecho de Mar Azul, de Paloma Vidal

 


 

 

1 de setembro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Enganos comuns nas relações afetivas.

 

"Nos primeiros e solitários dias de minha vida em Chicago, sempre me esforçava para reproduzir os prazeres de minha vida anterior na Bósnia. Nostalgicamente, buscava um bom borscht – não esperava um borscht perfeito. Mas o que encontrei em restaurantes ucranianos ou nos supermercados, nas prateleiras de comida étnica, não passava de uma rala sopa de beterraba, e fui forçado a tentar reconstruir o borscht da minha família a partir das minhas confusas lembranças. Eu fazia uma panela para mim mesmo e vivia dele por uma ou duas semanas. Mas o que eu fazia nesta terra de triste abundância nunca era igual à minha lembrança. Sempre faltava ao menos um ingrediente, sem contar o misterioso. Mais importante ainda, não existe nada mais patético do que um borscht solitário. Fazer borscht apenas para mim ajudou-me a compreender a metafísica das refeições em família – a comida tem que ser preparada no fogo baixo e constante do amor e ser consumida em um ritual de indelével união e convivência. O ingrediente crucial do borscht perfeito é uma família grande e faminta."

Trecho de O Livro das Minhas Vidas, de Aleksander Hemon

 


 

 

 

8 de setembro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Por que bisbilhotar o celular alheio?

 

"As visões da boa vida são comparadas por Ricoeur a uma nebulosa. As nebulosas são cheias de estrelas, não é possível contar todas elas, e incontáveis estrelas brilhando e cintilando atraem e encantam. Entre elas, as estrelas podem mitigar suficientemente a escuridão para permitir aos andarilhos traçar um caminho na imensidão – algum tipo de caminho. Mas que estrela deve orientar os passos de alguém? E em que ponto alguém deve decidir se selecionar essa estrela para guia entre uma multiplicidade delas foi uma escolha acertada ou infeliz? Quando se deve concluir que o caminho escolhido não leva a lugar algum, e que chegou a hora de abandoná-lo, voltar e fazer outra escolha melhor, espera-se? Não obstante os desconfortos já provocados por trilhar a rota previamente selecionada, tal resolução pode ser um passo imprudente: abandonar a estrela que até então se seguia pode revelar-se um erro ainda maior e mais lamentável, e você pode descobrir que o caminho alternativo conduz a dificuldades ainda maiores – você não sabe, nem é provável que saiba ao certo tudo isso."

 A arte da vida, Zygmunt Bauman 
 

 


 

 

 

9 de setembro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Traições: novos modos, funções novas.

 

"Aprendi a escrever lendo, da mesma forma que se aprende a falar ouvindo. Naturalmente, quase sem querer, numa espécie de método subliminar. Em meus tempos de criança, era aquela encantação. Lia-se continuamente e avidamente um mundaréu de histórias (e não estórias) principalmente as do Tico-Tico. Mas lia-se corrido, isto é, frase após frase, do princípio ao fim."

Caderno H, Mario Quintana

 

 


 

15 de setembro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Combinando as vidas. Parte I

 

"O fato é que tudo o que tenho nos bolsos é cuidadosamente escolhido para que eu esteja sempre preparado. Tudo está lá para que eu possa estar em vantagem no momento exato. Na verdade, não é bem assim. Tudo está lá para que eu não fique em desvantagem no momento exato. Porque que tipo de vantagem um palito de dente de madeira ou um selo postal podem realmente proporcionar?

 

Mas se, por exemplo, uma garota bonita – sabe de uma coisa, nem bonita, apenas charmosa, uma garota de aparência comum, mas com um sorriso fascinante de tirar o fôlego – te pede um selo, ou nem sequer pede, se apenas está na rua parada ao lado de uma caixa vermelha de correio em uma noite chuvosa com um envelope sem selo na mão e pergunta se você sabe onde há um posto de correios aberto àquela hora, e, em seguida, tosse um pouco porque está com frio, mas também desesperada, uma vez que, no fundo do seu coração, sabe que não há nenhuma agência de correio aberta na região, com certeza não naquela hora, e nesse momento, nesse exato momento, ela não vai dizer “Puta merda, que você tem nos bolsos?”, mas ficará muito grata pelo selo, talvez nem mesmo grata, ela vai apenas sorrir aquele seu sorriso fascinante, um sorriso fascinante em troca de um selo postal – eu estaria pronto a fechar um negócio destes em qualquer momento da minha vida, mesmo que o preço dos selos suba e o preço dos sorrisos despenque.

 

Após o sorriso, ela vai dizer obrigada e tossir de novo, por causa do frio, mas também porque está um pouco envergonhada. E vou oferecer-lhe uma pastilha para tosse. “O que mais você tem nos bolsos?”, ela perguntará, mas de forma suave, sem o “puta merda” e sem a negatividade, e vou responder sem hesitar: tudo o que você precisar, meu amor. Tudo o que você precisar. Então agora vocês já sabem. É isso o que eu tenho nos bolsos. Uma chance de não estragar tudo. Uma mínima chance. Não grande, nem mesmo provável."

 

Trecho de De Repente, Uma Batina na Porta, de Etgar Keret
 

 


 

 

22 de setembro de 2018

9h30 - 11h00

 

 

Tema do dia - Combinando as vidas. Parte II

 

"Uma vez me perdi na minha própria casa. Acho que não foi tão ruim quanto parece. Tínhamos acabado de aumentar a casa – acrescentado um corredor e um quarto para o lula, também conhecido como Kevin, meu irmão caçula –, mas, na verdade, os carpinteiros já haviam ido embora, e a poeira já baixara havia mais de um mês. Minha mãe nos chamara para jantar e eu estava descendo as escadas. Quando cheguei ao segundo andar, acabei indo para o lado errado e me deparei com um quarto coberto por um papel de parede com nuvens e coelhinhos. Percebi que tinha virado à direita, em vez da esquerda, então logo em seguida cometi o mesmo erro e fui parar no closet. Quando cheguei lá embaixo, Jenny e meu pai já estavam lá, e minha mãe me lançou aquele olhar. Eu sabia que tentar explicar seria pior, então fiquei quieto e comecei a comer meu macarrão com queijo. Mas dá para sentir meu problema. Minha “bússola interior”, como tia Maude costumava chamar, não é muito desenvolvida. Na verdade, acho que ela nunca foi calibrada. Norte, sul, leste, oeste? Pode esquecer – para mim já era difícil saber o que era direita e esquerda."

 

Trecho de EntreMundos, de Neil Gailman

 


 

 

 

29 de setembro de 2018

9h30 - 11h00

 

 

Tema do dia - Corporeidade e sexualidades.

 

 

"Existe alguma maneira de dar sentido às duas coisas? Existe alguma maneira de usar os produtos da nossa curiosidade e da nossa inteligência para influenciar, atenuar, reorientar nossos instintos básicos? Ou temos de admitir que a história é uma colcha de retalhos de eventos sem nada em comum uns com os outros, e que a natureza humana é uma cesta de compras com mercadorias díspares, algumas divinas, outras monstruosas, sem nenhuma conexão entre si?

 Ciência, um Monstro: Lições trentinas, Paul K Feyerabend

 

 


 

6 de outubro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Inseguranças e dúvidas em relacionamentos

 

"Gosto da palavra “amantes”. Amantes são aqueles que se amam. Os amantes, separados pela distância, sentem saudades... Alegram-se com a memória do rosto da pessoa amada. Diferente das palavras “marido” e “esposa”. Para se ser “marido” e “esposa” não é preciso amar. Ouvi de um padre, na sua homilia aos noivos: “O que os une não é o seu amor. É o contrato”. Padre ortodoxo aquele. Conhecia bem a teologia da Igreja. Porque, para a Igreja, o que une as pessoas não é o que elas sentem.

 

É o ato sacramental que o sacerdote executa. É a Igreja que estabelece a união matrimonial. Sacramentos são atos que um sacerdote executa, em nome de Deus. Portanto, é Deus que executa. E se é Deus que executa, não pode ser desfeito. “Aquilo que Deus ajuntou não o separe o homem.” A rejeição do divórcio por parte da Igreja nada tem a ver com o seu amor pela família. O que está em jogo é o poder divino da Igreja para unir. Se ela aceitasse o divórcio, estaria confessando que o sacramento do matrimônio não é coisa divina. E, com isso, estaria se desqualificando como legítima representante de Deus. Acho que o certo seria dizer: “Aquilo que Deus ajuntou o homem não separa. Se separou é porque Deus não juntou...”.

Alves, Rubem. Trecho de Ostra feliz não faz pérola, de Rubem Alves

 


 

13 de outubro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia -  Como é lidar com gente?

 

 

"A universalidade ou o absoluto da contradição tem duplo sentido. Um é que a contradição existe no processo de desenvolvimento de todas as coisas, e o outro é que no processo de desenvolvimento de cada coisa um movimento de contrários existe do começo até o fim. Engels disse: “O próprio movimento é uma contradição.”

 Sobre a contradição, Mao Tsé-Tung.

 

 


 

20 de outubro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Separação: um possível estágio do relacionamento.

 

"O que seu cônjuge lhe pede com mais frequência? Essa normalmente é uma indicação da linguagem do amor da pessoa. Você pode ter interpretado esses pedidos como uma chateação, mas, na verdade, seu cônjuge está lhe dizendo o que o faz sentir-se amado. Se, por exemplo, seu parceiro lhe pede repetidamente para dar uma caminhada após o jantar, fazer um piquenique, desligar o televisor e conversar ou passar o fim de semana juntos em algum lugar, fica claro que esses pedidos refletem o desejo de ter um tempo de qualidade. Uma esposa me disse: “Sinto-me negligenciada, não me sinto amada, pois meu marido raramente passa um tempo comigo. Ele me dá ótimos presentes de aniversário e não sabe por que não fico feliz com eles. Presentes significam pouca coisa quando você não se sente amada”. O marido dela era sincero e estava tentando demonstrar seu amor, mas não estava falando a linguagem do amor dela."

 

Trecho de Linguagens do Amor, de Gary Chapan

 


 

 

27 de outubro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - A nova família.

 

"Quando o homem que ia casar comigo chegou a primeira vez na minha casa, eu estava saindo do banheiro, devastada de angelismo e carência. Mesmo assim, ele me olhou com olhos admirados e segurou minha mão mais que um tempo normal a pessoas acabando de se conhecer. Nunca mencionou o fato. Até hoje me ama com amor de vagarezas, súbitos chegares. Quando eu sei que ele vem, eu fecho a porta para a grata surpresa. Vou abri-la como o fazem as noivas e as amantes. Seu nome é: Salvador do meu corpo."

Trecho de Reunião de poesia: 150 poemas selecionados, de Adélia Prado.

 


 

 

 

17 de novembro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Os novos velhos tempos.

 

"É de fato uma opinião estranhamente predominante entre os homens que casas, montanhas, rios e, numa palavra, todos os objetos sensíveis têm uma existência natural ou real diferente da de ser percebidos pelo entendimento. Contudo, por maior que sejam a confiança e a aquiescência que esse princípio possa ter recebido no mundo, quem decidir em seu íntimo colocá-lo em dúvida pode, se não me engano, perceber que ele envolve uma contradição manifesta, pois, o que são os objetos anteriormente mencionados senão o que percebemos pelos sentidos? E o que percebemos além das nossas ideias ou sensações? E não é claramente contraditório |repugnant| que alguma destas, ou alguma combinação destas, possa existir impercebida?"

Trecho do Tratado sobre os princípios do conhecimento humano, de George Berkeley

 


 

 

24 de novembro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Elementos em Filosofia Clínica para uma Educação Pessoal – parte I

 

"– Não há nenhum guarda-roupa neste quarto, e nunca houve – disse eu, voltando à minha cadeira e levantando o cortinado para poder vê-la.

– Você não está vendo aquele rosto? – indagou ela, olhando fixamente para o espelho. Expliquei como pude, mas fui incapaz de fazê-la compreender que aquele era o seu próprio rosto; então me levantei e cobri o espelho com um xale.

– O rosto ainda está atrás do xale! – continuou ela, inquieta.

– E agora se mexeu. Quem é, Nelly? Espero que não apareça depois que você for embora! Oh! Nelly, o quarto está mal-assombrado! Estou com medo de ficar sozinha!

Tomei sua mão e pedi-lhe que se controlasse. Seu corpo fora sacudido por uma sucessão de tremores, e ela continuava esticando-se para olhar o espelho.

 – Não há ninguém ali! – insisti. – É a senhora mesma, Mrs. Linton: já sabe disso.

 – Eu mesma! – disse ela, a voz sufocada."

 

Trecho de O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Bronte

 


 

 

1 de dezembro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Elementos em Filosofia Clínica para uma Educação Pessoal – parte II

 

"Agenda pode ser tormento e prisão. Mas pode ser liberdade, se a gente inventar brechas: em plena tarde da semana, caminhar na calçada; sentar ao sol na varanda do apartamento; deitar na grama do parque ou jardim, por menor que ele seja, e como criança olhar as nuvens, interpretando suas formas: camelo, coelho, árvore ou anjo. Ou: quinze minutos para se recostar para trás na cadeira (pode ser do escritório mesmo) e espiar o céu fora da janela; ir até a sala, esticar-se no sofá com as pernas sobre o braço do próprio, e ouvir música, ver televisão, ler, ler, ler... ou simplesmente não fazer nada. O ócio é uma possibilidade infinita a ser explorada. Não falo da inércia, do desânimo, do vazio melancólico. Jamais falarei de ficar de robe velho e pantufas (vi numa vitrine algumas com cara de cachorro e até orelhas!) pela casa até o meio da tarde. Falo de viver. “Parar, olhar, escutar”, dizia um aviso nos trilhos do trem quando havia trem entre minha cidade e Porto Alegre. A gente passava de carro sobre o trilho, e eu imaginava o horror de alguém infringir isso e ser explodido pelo monstro de ferro e fumaça."

Trecho de Pensar é transgredir, de Lya Luft

 


 

 

8 de dezembro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia -Elementos em Filosofia Clínica para uma Educação Pessoal – parte III

 

"Segundo Arendt, a sociedade moderna, enquanto sociedade do trabalho, aniquila toda possibilidade de agir, degradando o homem a um animal laborans − um animal trabalhador. O agir ocasiona ativamente novos processos. O homem moderno, ao contrário, estaria passivamente exposto ao processo anônimo da vida. Também o pensamento degeneraria em cálculo como função cerebral. Todas as formas de vita activa, tanto o produzir quanto o agir, decaem ao patamar do trabalho. Assim, Arendt vê a Modernidade, que começou inicialmente com uma ativação heroica inaudita de todas as capacidades humanas, findar numa passividade mortal."

 Trecho de Sociedade do cansaço, de Byung-Chul Han.

 


 

 

 

15 de dezembro de 2018

9h30 - 11h00

 

Tema do dia - Elementos em Filosofia Clínica para uma Educação Pessoal – parte IV

 

"O que deixou especialmente alarmados os sábios estudiosos da comissão foi o “excesso de democracia” durante o conturbado período, a década de 1960, quando partes da população normalmente passivas e apáticas adentraram a arena política para expor seus anseios e interesses: minorias, mulheres, jovens, velhos, velhos, classes trabalhadoras... Em suma, a população, por vezes chamada de “os interesses especiais”. Esses grupos devem ser distintos daqueles que Adam Smith intitulou de “mestres da humanidade”, que eram “de longe os principais arquitetos” da política de governo e iam no encalço de sua “vil máxima”: “Tudo para nós e nada para os outros”.[8] O papel dos mestres na arena política não é deplorado, tampouco discutido, no volume publicado pela Trilateral, presumivelmente porque os mestres representam “o interesse nacional”, como os que aplaudiam a si mesmos por conduzir o país à guerra depois que “a exaustiva deliberação dos mais ponderados membros da comunidade” havia chegado a seu “veredito moral”.


Chomsky, Noam. Trecho de Quem Manda no Mundo?, de Noam Chomsky

 

 

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